Yara Pina

Corpos sulcados (2019)

sombra e terra sulcadas com relha de arado

vestígios de ação

 

Partindo da relação entre o corpo da mulher e a terra como um meio de dominação e manifestação recorrente das violências de origens patriarcal e colonial, proponho nesta ação remeter a um instrumento agrícola de origem muito antiga e tradicionalmente submetido ao monopólio do sujeito masculino – o arado - para simbolizar não apenas o controle e exploração do homem sobre a terra e aos meios de produção, mas também sobre os corpos das mulheres. E a partir disso, também, refletir de que forma violações sofridas, no Brasil colonial, por diferentes grupos de mulheres estruturam sistematicamente opressões que perpetuam até hoje como forma deixa-las cada vez mais vulneráveis à violência sexual, ao feminicídio e à exploração de seus corpos. Num primeiro momento, a relha de um arado foi utilizada como uma arma para agredir minha sombra, deixando fissuras que foram, em seguida, preenchidas com a terra vermelha. Já sobre o chão, utilizei o instrumento para reproduzir os sulcos de uma terra penetrada pelo arado