Vilipêndio a Vênus (2017)

sombra agredida com golpes de cutelo, molduras carbonizadas destruídas, terra vermelha,

vestígios de ação,

dimensões variáveis

 

Em Vilipêndio a Vênus, me aproprio de diferentes elementos simbólicos presentes nas narrativas sobre Vênus, ícone histórico da representação do corpo feminino. Desde os vestígios em ocre vermelho presente nas figuras femininas pré-históricas - apropriadas pelo Ocidente ao serem denominadas de Vênus - até  de inúmeras pinturas com nus femininos que foram censuradas pela Inquisição - simbolizadas pelas molduras carbonizadas, que foram destruídas durante a ação e arranjadas como uma fogueira. O ataque a minha sombra com um cutelo, arma branca, é um deslocamento do gesto político e iconoclasta da sufragista Mary Richardson ao agredir, em 1914, a pintura Rokeby Venus de Velazquez.  Diferentemente de seu ato, não se trata aqui de vilipendiar a imagem de um corpo feminino, mas de agredir a minha própria sombra.

 

Vilification to Venus, 2017

shadow assaulted with chopper blows, charred frames destroyed, red earth

traces of action

dimensions variable

In Vilipendio a Venus I explore the repertoire of violence with vestiges and symbolic materials present in the narratives on Venus, historical icon of the representation of the female body. From the red pigmentation in ocher present in the prehistoric female figurines, appropriated by the West when they are called Venus, until the burning of countless paintings with female nudes destroyed by the inquisition, symbolized by the charred frames arranged in the form of a bonfire. The attack on my shadow with a cleaver, a white weapon, is a displacement of the iconoclastic gesture of the suffragette Mary Richardson in assaulting, in 1914, the painting Rokeby Venus de Velazquez. Unlike his act, it is not a matter of vilifying the image of a female body, but of attacking my own shadow.

© 2018 por Yara Pina.

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